terça-feira, 24 de novembro de 2015

“As mulheres não se sentem mais capazes de parir”, afirma fotógrafa departos humanizados


Workshop sobre parto humanizado contou com apresentação de projetos e discussões sobre o tema. Evento integrou 1ª Jornada Nacional Mulher Viver Sem Violência

A discussão sobre parto humanitário e violência obstétrica vem ganhando cada vez mais espaço. Uma pesquisa realizada em 2010, pela Fundação Perseu Abramo, mostra que 25% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência obstétrica, especialmente na rede pública (27%). Isso revela que tanto a negligência em hospitais quanto a falta de apoio às gestantes fazem com que mais mulheres sofram durante a gravidez. Esse foi o tema discutido no workshop “Crítica Cultural Feminista”, realizado nesta terça-feira (24) na Universidade Positivo e mediado por Lennita Oliveira e Amélia Siegel. O evento fez parte da 1ª Jornada Nacional Mulher Sem Violência.
Durante o workshop, foram discutidos três trabalhos relacionados à humanização do parto. A fotógrafa Márcia Kohatsu apresentou seu projeto “À luz do parto”, uma série de fotos acompanhada dos relatos de grávidas que optaram por parir de forma “humanizada”. Ela comentou que, antes de conhecer mais sobre essa prática, via a cesárea como o modo ideal de parto, teoricamente sem dor ou preocupação. Foi após sofrer um aborto espontâneo que ela buscou informações: “Descobri um novo universo de mulheres que estavam parindo em casa”, contou.


Márcia Kohatsu contou detalhes sobre "À luz do parto", projeto fotográfico sobre partos humanizados. A fotógrafa planeja montar uma exposição com as imagens.

A doula Nitiananda Fuganti, participante do workshop, ressalta que a concepção de violência obstétrica “é complicada”, já que envolve dois extremos. Enquanto os médicos veem o parto normal como um risco e recebem pouco para realizá-lo, as mulheres sofrem pressões diversas e não têm seus desejos atendidos. Outra questão é que essa prática ainda é elitizada, pois exige um maior acesso à informação e apoio financeiro. Niti, como é chamada, também ressalta que a humanização não tem como objetivo desvalorizar a tecnologia e os avanços na medicina, sendo bem mais uma questão de escolha da mulher. "O parto é uma jornada, no processo e no emponderamento da mulher e não acaba no nascimento", garante a coordenadora da Casa Mãe.
Kohatsu explicou que, atualmente, muitas mulheres não se sentem mais capazes de passar por um parto natural porque criou-se a ideia de que é arriscado ter um filho fora do hospital. Para ela, isso é um problema à medida que impõe a cesárea como um modelo a ser seguido por todas as mulheres. “Hoje, parir é um ato político, é uma desobediência civil”, afirmou a fotógrafa.

Durante a apresentação dos projetos, as treze participantes interagiram através de comentários, questionamentos e reflexões sobre os temas tratados. Ao fim das apresentações, elas fizeram uma roda de debate e continuaram as discussões, que abordavam, além de parto humanizado, outros temas ligados ao empoderamento das mulheres.
A 1ª Jornada Nacional Mulher Viver Sem Violência vai até o dia 25 deste mês e ainda contará com palestras e workshops ministrados por  grandes nomes, desde o Legislativo até representantes de causas sociais.  O evento está sendo organizado pela Universidade Positivo em parceria com a Prefeitura de Curitiba, Pontifícia Universidade Católica e Universidade Federal do Paraná.

Amélia Siegel, uma das mediadoras do workshop.

Texto e fotos produzidos por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Positivo: Ana Martins e Camilla de Oliveira. Trabalho sob coordenação da professora Ana Paula Mira e assessoria de imprensa da Universidade Positivo da Central Press.

Mesa-redonda trata da discussão de gênero nos planos de educação


Com um debate sobre a importância da discussão de gênero nas escolas e planos de educação, ocorreu nesta terça (24) o painel 4 da 1ª Jornada Nacional Mulher Viver sem Violência. O evento discutiu a legislação sobre o gênero na educação e sua importância para minimizar a violência contra a mulher e outros preconceitos. Com moderação da enfermeira Terezinha Mafioletti – que foi premiada na atuação na defesa dos direitos e interesses da mulher pela Câmara Municipal de Curitiba -, o debate contou com a presença de quatro palestantes:Cláudia Cobalchini, psicóloga e professora na Universidade Positivo, Dayana Brunetto, pesquisadora do Laboratório de Investigação em corpo, gênero e subjetividades na educação (LABIN/UFPR), Gabriela Reyes Ormeno, psicóloga doutoranda pela Universidade Federal de São Carlos e Lis Soboll, pesquisadora no Departamento de Psicologia da UFPR que apresentou sua palestra sobre o “o custo do direito de ser feliz” logo antes do início do painel.

Durante a conversa, foram ressaltados os problemas da discussão de gênero nos planos de educação no país, assim como as alternativas para que o tema comece a ser debatido com maior efetividade. “A discussão de gênero nas escolas problematiza as verdades que nos foram postas quando criança e isso pode ser perigoso para quem não quer discutir o assunto”, segundo a pesquisadora Dayana Brunetto. Já a psicóloga e Dra. Gabriela Reyes Ormeno, em sua fala, reiterou que a principal forma de evitar a violência contra a mulher é por meio da prevenção, educando as crianças. Gabriela ressaltou que, entre diversas violações, este é o direito humano mais desrespeitado de todos, e que fatores que podem colaborar para essa realidade são o desejo de um modelo de família intacto e a culpabilização da vítima.

Dayana Brunetto durante sua fala no painel, que teve seu início às 15h00
Para Gabriela, a violência contra a mulher reflete na violência contra a criança, pois muitas mães que sofrem física e psicologicamente com seus parceiros acabam “descontando” em seus filhos, e essas crianças refletem essa violência em seus comportamentos. “Violência contra a mulher é um problema privado, público e social”, diz a psicóloga. Durante o painel, as palestrantes defenderam a importância de discutir gênero no ambiente escolar para que as crianças sejam mais esclarecidas quanto à igualdade de direitos e de construção nos papeis sociais da mulher e do homem, contribuindo assim para uma sociedade mais justa e pacífica.

por Luis Izalberti, Fernanda Umlauf e Ana Paula Severino
Fotos: Luis Izalberti

“O custo do direito de ser feliz” é o tema abordado pela palestrante Lis Soboll


Quem é você no mundo das aparências? O que você busca com o consumo e compra de produtos? O que os fatores psicossociais falam sobre a utilização do nosso tempo e como está a vivência social? Estudos sobre as megacidades apontam que 30% dos indivíduos apresentam sintomas de transtornos mentais, sendo estes os principais fatores de afastamento do trabalho e que atingem as convivências familiares e a forma de enxergar o outro dentro da sociedade. Lis Soboll, professora e pesquisadora no Departamento de Psicologia da UFPR, traz em sua palestra “Saúde mental, fatores psicossociais no trabalho e ações para implantação da diversidade” a reflexão das relações pessoais na contemporaneidade e aponta que todo problema de saúde mental tem como base uma crise de identidade.

Segundo a palestrante, a crise de identidade sofrida pelos indivíduos é consequência do momento histórico e atual das civilizações que vivem no reino do dinheiro e que, na busca dele, perdemos coisas que jamais poderão ser substituídas. Lis explica que, sendo dividido em dois ramais - o do trabalho e do consumo - é o reino do dinheiro que define a posição social ocupada e que modifica as relações existentes entre os indivíduos, que passam a viver na base da competição. Além disso, a psicóloga defende que ditadura imposta pelo dinheiro tem trazido crises de referências dentro das famílias, que apresentam filhos órfãos de pais presentes, ou seja, pais que, mesmo vivos, são ausentes na vida das crianças e compensam isso com presentes.

Lis Soboll apresentou também as contradições inseridas dentro da cultura do trabalho e do consumo, mostrando que apesar da sociedade acreditar que a felicidade está no dinheiro, continuamos vivendo em uma solidão acompanhada, na qual o outro é visto como objeto e as relações se tornaram efêmeras. E o principal medo do século XXI é a normopatia, a doença da normalidade, já que todos nós estamos em busca da ascensão social e econômica.

A palestra “Saúde mental, fatores psicossociais no trabalho e ações para implantação da diversidade” ocorreu nesta terça-feira (24), às 14h15 no auditório do Bloco Azul da Universidade Positivo.

por Juliana Bianchi
Fotos: Luis Izalberti

A saúde como consequência da violência

A violência contra a mulher, tema da 1ª Jornada Nacional Mulher Viver, foi encarada através da óptica da saúde na palestra da médica sanitarista e professora da USP Ana Flávia d´Oliveira. Segundo a médica, mulheres que sofrem violência tendem a buscar mais atendimento de saúde – porém não por causa das agressões. Os sintomas são variados: depressão, ansiedade, hematomas, dor no peito, sangramento, diarreia, colón irritável. Sintomas que, quando a violência não é levada em consideração, são apontados para outras doenças. “As mulheres continuam voltando ao médico por causa de sintomas que não desaparecem. Todos eles resultam em um comum: dor crônica. E o motivo é o mesmo: violência doméstica.”


Ana Flávia d´Oliviera
Fotos: Karina Sonaglio
 Segundo Flávia, o alto custo da assistência, a baixa cobertura de ações preventivas, a baixa resolução dos casos, a invisibilidade dos casos e a impotência dos profissionais são alguns dos motivos para que a os índices de violência doméstica continuem de difícil diagnóstico.  Ainda assim, algumas medidas tomadas já cooperaram para esta causa, como o aborto legal em caso de risco  - desde 1940. Mesmo assim, não são todos os hospitais que cumprem a lei. O abordo ainda é visto com maus olhos, e não são todos os médicos que realizam o procedimento. Segundo Ana Flávia, ainda é necessário que os hospitais cumpram a resolução de forma eficaz.
“A visibilidade do problema no interior dos serviços como um todo precisa ser melhorada.  É necessário ver, e fazer ver”, segundo a  médica.




Foto: Karina Sonaglio



Foto: Karina Sonaglio

Texto e fotos produzidos por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Positivo: Sarah Menezes e Karina Sonaglio. Trabalho sob coordenação da professora Ana Paula Mira e assessoria de imprensa da Universidade Positivo da Central Press.

Saúde e violência contra mulher são assuntos em painel

Foto: Sarah Menezes

Depois de uma palestra da pesquisadora Ana Flávia D'Oliveira sobre a Violência Contra a Mulher na Perspectiva da Saúde, foi a vez de outras quatro mulheres falarem sobre saúde e violência contra a mulher. O painel aconteceu no bloco bege da Universidade Positivo e teve como moderadora a Coordenadora da Casa da Mulher Brasileira de Curitiba Luci Belão.
Foto: Sarah Menezes

Tereza Kindra foi a primeira a falar. Enfermeira e Diretora Executiva da Maternidade do Bairro Novo de Curitiba, Kindra abordou a violência obstétrica, e enfatizou que um dos modos de prevenir é orientando mulheres e sensibilizando os médicos. A enfermeira ainda falou sobre o projeto Rede Cegonha implantado na Maternidade Bairro Novo, que volta suas atividades para o Parto Humanizado, informando mulheres grávidas por meio de atividades e vínculo com enfermeiras.
Foto: Sarah Menezes

Em seguida foi a vez da Dra. Maria Letícia Fagundes, médica ginecologista perita do Instituto Médico Legal (IML), que falou sobre o Projeto Atenção à Mulher em Situação de Violência. A médica mostrou dados do programa, entre eles, o alto número de atendimento à violência sexual no IML. Ela apresentou a ong Mais Maria, em que atua com proposta informativa, além de acolher vítimas de violência.
Foto: Sarah Menezes

A professora Rosangela Lopes Camargo, do curso de Psicologia da UP, apresentou uma parceria entre os cursos de Psicologia e Direto. A psicologia jurídica é voltada ao divórcio, que muitas vezes acaba sendo um processo violento. O projeto é voltado à conscientização no fim da união conjugal, e trabalha com o direito dos pais e filhos, além de oferecer psicoterapia a mulheres que sofrem algum tipo de violência durante esse processo.
Foto: Sarah Menezes

Quem encerrou o painel foi Xênia de Mello, advogada e integrante do Movimento Bem Nascer Curitiba. Xênia falou sobre o movimento, que tem como pauta a defesa do nascimento humanizado e a prevenção da violência obstétrica. Ainda foi falado sobre a facilidade em ter acesso a dados do SUS, enquanto nos atendimentos privados esse acesso é mais complicado. A professora de jornalismo da UP, Rosiane de Freitas, foi citada por conta do site Nascer Bem, que mostra qual tipo de parto é mais comum na prática de médicos obstetras em Curitiba.
Foto: Sarah Menezes


Palestra aborda violência doméstica e invisibilidade da mulher negra dentro da sociedade

Mulheres sem direito, sem autonomia e invisíveis. Esse foi um dos temas apresentados hoje, na palestra “Violência, Desigualdades de Gênero, Sexualidade e Raça”, ministrada pela professora da UFPR, Melina Giraldi Fachin. Em sua palestra, Melina mostrou que o Brasil é o quinto país no ranking sobre violência contra a mulher, ficando atrás somente de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Federação Russa (maioria da América Latina). Outro dado apresentado em sua palestra foi que o Paraná é o terceiro estado com maiores taxas de homicídio feminino. Dos homicídios, 70% são causados pela violência doméstica e 66,3% dos crimes são cometidos pelos parceiros.
Logo após a palestra, iniciou-se o Painel que contou com a presença da Heliana Deletério, da Rede de Mulheres Negras; Rafaela Westphal, do Departamento de Sociologia da UFPR e também da professora Melina. Rafaela trouxe o seu trabalho de mestrado “Homens que matam mulheres: fatos e versões”, que continha o depoimento de onze homens que cometeram violência doméstica contra suas companheiras. Um desses depoimentos contava a história de Anderson (nome fictício usado pela assistente social) que está preso por ter cometido violência doméstica contra sua esposa: em um sábado, ele saiu para beber com os amigos e chegou em casa bêbado. Pediu para que a mulher fizesse frango empanado para o jantar, enquanto tomava banho. A mulher fez bife acebolado, o que foi o estopim para que o marido a segurasse pelo braço e a agredisse. Rafaela conta que, em sua pesquisa, a maioria dos homens que cometem violência não enxergam seus atos como violentos. Os pequenos poderes sobre a mulher, como decidir a roupa e maquiagem, tiram os diretos de liberdade e privacidade, tornando-a sua propriedade. E mesmo depois de anos presos, as concepções culturais patriarcais de poder continuam as mesmas.

Melina, Heliana, Rafaela e o mediador Igo Martini.
Rafaela Westphal - Departamento de Sociologia da UFPR


Heliana Hemetério, da Rede de Mulheres Negras, abordou a invisibilidade da mulher negra, que são as mais violentadas e têm um espaço quase inexistente dentro de universidades e grandes empresas. Para Heliana, o racismo é um assunto pouco debatido e o principal desafio, para a maioria das pessoas, é reconhecer que o racismo existe. Antigamente, a mulher negra era escrava. Hoje ela é doméstica. A palestrante também afirmou que há uma cultura racista e patriarcal. Tal cultura marginaliza o negro e estabelece que a mulher precisa de um homem para estar inserida na sociedade.



Cleberton Mendes, Juliana Bianchi
Fotos: Hannah Cliton e Georgia Imaregna



Workshop discute as consequências da ditadura da beleza feminina



        Na tarde desta terça-feira (24), na Universidade Positivo, a professora e  fisioterapeuta Viviane Lucci Busnardo coordenou o workshop “Ditadura da beleza e estética como forma de violência contra mulher", atividade integrante do segundo dia da 1ª Jornada Nacional Mulher Viver Sem Violência.

Discussão foi aberta para os presentes
            A professora propôs que os presentes refletissem sobre as consequências que a ditadura da beleza traz para as mulheres, alertando que o conhecimento é a maior e melhor arma existente. A fisioterapeuta Naudinar Di Petro Simões deu continuidade à atividade com um breve histórico dos padrões de beleza estipulados pela sociedade ao longo do tempo.
          O encontro também contou com a apresentação de trabalhos científicos da psicóloga Lyegie Lys Barancelli, e da residente em psicologia Simone Maiorki. Ambos os trabalhos discutiram a cultura social da vaidade feminina. “Devemos trabalhar para que os impactos causados pela busca do corpo perfeito sejam menores na vida das mulheres”, afirma Lyegie.

Workshop contou com trabalhos relacionados ao tema
            Para finalizar o workshop, a tatuadora Flávia Carvalho apresentou seu projeto em parceria com a Secretaria da Mulher de Curitiba “A Pele da Flor”. O projeto consiste no serviço voluntário de tatuagens para mulheres vítimas de violência doméstica, com a cobertura de cicatrizes oriundas de agressão. 
Uma das tatuagens feitas por Flávia


Tatuadora mostra o antes e o depois dos locais tatuados
Aline Garcia, tatuada por Flávia, deu seu depoimento para encerrar a tarde, concluindo que as tatuagens auxiliam na melhora da autoestima, pois evitam perguntas sobre as cicatrizes, minimizando as dores que já causaram. Um abraço emocionado entre a tatuadora e a vítima marcou o final das atividades. 


Aline Garcia se emociona ao contar a sua história
Aline e Flávia se emocionaram ao fim do Workshop

Texto e fotos produzidos por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Positivo: Georgia Prestes e Matheus Gripp. Trabalho sob coordenação da professora Ana Paula Mira e assessoria de imprensa da Universidade Positivo da Central Press.




Mulheres vítimas de violência e sua relação com a mídia é discutida por jornalistas feministas

“O assédio está enraizado na sociedade desde sempre. Fui assediada quando tinha onze anos, só porque, de repente, tinha peito e bunda. Por isso eu era tida como mulher. Eu fui tragada pelo mundo sexual sem meu próprio consentimento”. O depoimento de Juliana de Faria, criadora do site Think Olga - que tem o trabalho social na internet de criar conteúdos que reflitam a complexidade em que a mulher está inserida na sociedade – traduz perfeitamente um dos discursos que a 1ª Jornada Mulher Viver Sem Violência quer propor para o seu público: o assédio sexual e a violência contra a mulher.
Juliana de Faria divide com a plateia histórias que impulsionaram sua dedicação com o feminismo. Foto: Gabriela Menta

Juliana, que é idealizadora de campanhas como a ‘Chega de Fiu Fiu’, que combate o assédio sexual em lugares públicos; e ‘Entreviste Uma Mulher’, um banco de dados para que mulheres sejam consultadas como fontes na imprensa; se juntou a outras jornalistas feministas: Mariana Franco Ramos, do Coletivo de Jornalistas Feministas Nísia Floresta, que tem o propósito de inserir na mídia a discussão de questões de gênero e feminismo; e a estudante de jornalismo da UFRJ e uma das criadoras da Rede Livres de Abuso, uma rede de comunicação sobre a dinâmica dos relacionamentos abusivos. Juntas puderam abordar temas como as propostas de fazer um mundo com menos violência, valorização do trabalho feminino, casos de abuso sexual, violência doméstica, a educação como propósito fundamental para as futuras gerações e, claro, tratamento igualitário na mídia.
Os depoimentos das palestrantes, bem como os de várias mulheres que estavam na plateia eram importantes também para os homens, apesar de haver poucos deles no auditório. “Os homens deveriam participar desse debate, eles precisam ser educados, eles precisam ser ensinados que o estupro, por exemplo, é o reflexo de uma sociedade machista.”
Primeiro assédio e histórias pessoais de abuso sexual marcam debate em primeiro dia de jornada. Foto: Gabriela Menta
Marcos Giovanella, diretor de Marketing e Comunicação da Secretaria Municipal de Comunicação Social de Curitiba, moderador da mesa, sofreu represálias das mulheres da plateia, pois, segundo muitas delas, aquele era um espaço que deveria ser ocupado apenas por elas. “Eu entendo a posição delas. Mas o outro lado dessa questão é que fico feliz porque a gente está conseguindo trazer a discussão para o ambiente masculino também. Eu sou entusiasta das causas femininas. Acho que é muito importante conseguir trazer esse debate entre gêneros, porque um gênero sozinho não consegue mudar uma visão toda da sociedade. Fiz o máximo possível para não chamar atenção aqui no palco, afinal quem são as protagonistas são as meninas”.

A questão da presença masculina na mesa principal do debate rendeu muitas discussões. E isso leva para um ponto de destaque para o que foi dito em relação à falta de voz feminina, tanto na abordagem de temas dos quais elas seriam a principal fonte, como dentro do jornalismo. “O jornalismo pode ser feito de outras formas. Como é feito hoje, não passa de uma ferramenta de empoderamento”, afirmou Juliana de Faria. “Quem define o que é vinculado nas redações são os homens em sua maioria brancos, heteros e cisgêneros. Isso acaba refletindo diretamente no que é publicado nas reportagens”, afirmou Mariana Franco.
Mariana Franco conta o que que motiva o Coletivo de Jornalistas Feministas Nísia Floresta a seguir na causa feminista. Foto: Gabriela Menta
Para Bruna de Lara, muito do que se vive atualmente em relação à não participação do homem em grandes debates como a violência contra a mulher está no que cultua a mídia. A influência machista direta dentro das redações e outros veículos de comunicação acaba transformando a sociedade em um ambiente completamente ditado por regras masculinas. “Os exemplos dessa construção machista na mídia são vários: a transformação da cultura do agressor que faz com que a sua parceira se sinta culpada por não ceder de pronto às vontades dele, um ambiente perfeito para constituir seu poder e a submissão da mulher; o corpo da mulher é exibido como produto para dar audiência; a imagem da mulher é aquela que apenas quer casamento e ter filhos; as mulheres ricas são brancas; as negras, as empregadas. A violência contra a mulher em todos os aspectos já está naturalizada e romantizada na mídia”, disse Bruna de Lara.


De fato, as meninas protagonizaram um bom começo de jornada. O evento, que tem sua primeira edição, ainda contará com muitos debates calorosos. No entanto, caso você seja um leitor masculino, o que aconteceu hoje pela manhã na Universidade Positivo, sem dúvidas lhe teria servido como aula prática sobre como agir e contribuir para uma sociedade igualitária.