Workshop sobre parto humanizado contou com apresentação de projetos e discussões sobre o tema. Evento integrou 1ª Jornada Nacional Mulher Viver Sem Violência
A discussão sobre parto humanitário e violência obstétrica vem ganhando cada vez mais espaço. Uma pesquisa realizada em 2010, pela Fundação Perseu Abramo, mostra que 25% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência obstétrica, especialmente na rede pública (27%). Isso revela que tanto a negligência em hospitais quanto a falta de apoio às gestantes fazem com que mais mulheres sofram durante a gravidez. Esse foi o tema discutido no workshop “Crítica Cultural Feminista”, realizado nesta terça-feira (24) na Universidade Positivo e mediado por Lennita Oliveira e Amélia Siegel. O evento fez parte da 1ª Jornada Nacional Mulher Sem Violência.
Durante o workshop, foram discutidos três trabalhos relacionados à humanização do parto. A fotógrafa Márcia Kohatsu apresentou seu projeto “À luz do parto”, uma série de fotos acompanhada dos relatos de grávidas que optaram por parir de forma “humanizada”. Ela comentou que, antes de conhecer mais sobre essa prática, via a cesárea como o modo ideal de parto, teoricamente sem dor ou preocupação. Foi após sofrer um aborto espontâneo que ela buscou informações: “Descobri um novo universo de mulheres que estavam parindo em casa”, contou.
Márcia Kohatsu contou detalhes sobre "À luz do parto", projeto fotográfico sobre partos humanizados. A fotógrafa planeja montar uma exposição com as imagens.
A doula Nitiananda Fuganti, participante do workshop, ressalta que a concepção de violência obstétrica “é complicada”, já que envolve dois extremos. Enquanto os médicos veem o parto normal como um risco e recebem pouco para realizá-lo, as mulheres sofrem pressões diversas e não têm seus desejos atendidos. Outra questão é que essa prática ainda é elitizada, pois exige um maior acesso à informação e apoio financeiro. Niti, como é chamada, também ressalta que a humanização não tem como objetivo desvalorizar a tecnologia e os avanços na medicina, sendo bem mais uma questão de escolha da mulher. "O parto é uma jornada, no processo e no emponderamento da mulher e não acaba no nascimento", garante a coordenadora da Casa Mãe.
Kohatsu explicou que, atualmente, muitas mulheres não se sentem mais capazes de passar por um parto natural porque criou-se a ideia de que é arriscado ter um filho fora do hospital. Para ela, isso é um problema à medida que impõe a cesárea como um modelo a ser seguido por todas as mulheres. “Hoje, parir é um ato político, é uma desobediência civil”, afirmou a fotógrafa.
Durante a apresentação dos projetos, as treze participantes interagiram através de comentários, questionamentos e reflexões sobre os temas tratados. Ao fim das apresentações, elas fizeram uma roda de debate e continuaram as discussões, que abordavam, além de parto humanizado, outros temas ligados ao empoderamento das mulheres.
A 1ª Jornada Nacional Mulher Viver Sem Violência vai até o dia 25 deste mês e ainda contará com palestras e workshops ministrados por grandes nomes, desde o Legislativo até representantes de causas sociais. O evento está sendo organizado pela Universidade Positivo em parceria com a Prefeitura de Curitiba, Pontifícia Universidade Católica e Universidade Federal do Paraná.
Amélia Siegel, uma das mediadoras do workshop.
Texto e fotos produzidos por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Positivo: Ana Martins e Camilla de Oliveira. Trabalho sob coordenação da professora Ana Paula Mira e assessoria de imprensa da Universidade Positivo da Central Press.





