Mulheres
sem direito, sem autonomia e invisíveis. Esse foi um dos temas apresentados
hoje, na palestra “Violência, Desigualdades de Gênero, Sexualidade e Raça”,
ministrada pela professora da UFPR, Melina Giraldi Fachin. Em sua palestra,
Melina mostrou que o Brasil é o quinto país no ranking sobre violência contra a
mulher, ficando atrás somente de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Federação
Russa (maioria da América Latina). Outro dado apresentado em sua palestra foi
que o Paraná é o terceiro estado com maiores taxas de homicídio feminino. Dos
homicídios, 70% são causados pela violência doméstica e 66,3% dos crimes são
cometidos pelos parceiros.
Logo
após a palestra, iniciou-se o Painel que contou com a presença da Heliana
Deletério, da Rede de Mulheres Negras; Rafaela Westphal, do Departamento de
Sociologia da UFPR e também da professora Melina. Rafaela trouxe o seu trabalho
de mestrado “Homens que matam mulheres: fatos e versões”, que continha o depoimento
de onze homens que cometeram violência doméstica contra suas companheiras. Um
desses depoimentos contava a história de Anderson (nome fictício usado pela
assistente social) que está preso por ter cometido violência doméstica contra
sua esposa: em um sábado, ele saiu para beber com os amigos e chegou em casa
bêbado. Pediu para que a mulher fizesse frango empanado para o jantar, enquanto
tomava banho. A mulher fez bife acebolado, o que foi o estopim para que o
marido a segurasse pelo braço e a agredisse. Rafaela conta que, em sua pesquisa, a maioria dos homens que cometem violência não enxergam seus atos como
violentos. Os pequenos poderes sobre a mulher, como decidir a roupa e
maquiagem, tiram os diretos de liberdade e privacidade, tornando-a sua
propriedade. E mesmo depois de anos presos, as concepções culturais patriarcais
de poder continuam as mesmas.
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| Melina, Heliana, Rafaela e o mediador Igo Martini. |
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| Rafaela Westphal - Departamento de Sociologia da UFPR |
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Heliana
Hemetério, da Rede de Mulheres Negras, abordou a invisibilidade da mulher negra,
que são as mais violentadas e têm um espaço quase inexistente dentro de
universidades e grandes empresas. Para Heliana, o racismo é um assunto pouco
debatido e o principal desafio, para a maioria das pessoas, é reconhecer que o
racismo existe. Antigamente, a mulher negra era escrava. Hoje ela é doméstica.
A palestrante também afirmou que há uma cultura racista e patriarcal. Tal
cultura marginaliza o negro e estabelece que a mulher precisa de um homem para
estar inserida na sociedade.
Cleberton
Mendes, Juliana Bianchi
Fotos: Hannah Cliton e Georgia Imaregna
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