terça-feira, 24 de novembro de 2015

Palestra aborda violência doméstica e invisibilidade da mulher negra dentro da sociedade

Mulheres sem direito, sem autonomia e invisíveis. Esse foi um dos temas apresentados hoje, na palestra “Violência, Desigualdades de Gênero, Sexualidade e Raça”, ministrada pela professora da UFPR, Melina Giraldi Fachin. Em sua palestra, Melina mostrou que o Brasil é o quinto país no ranking sobre violência contra a mulher, ficando atrás somente de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Federação Russa (maioria da América Latina). Outro dado apresentado em sua palestra foi que o Paraná é o terceiro estado com maiores taxas de homicídio feminino. Dos homicídios, 70% são causados pela violência doméstica e 66,3% dos crimes são cometidos pelos parceiros.
Logo após a palestra, iniciou-se o Painel que contou com a presença da Heliana Deletério, da Rede de Mulheres Negras; Rafaela Westphal, do Departamento de Sociologia da UFPR e também da professora Melina. Rafaela trouxe o seu trabalho de mestrado “Homens que matam mulheres: fatos e versões”, que continha o depoimento de onze homens que cometeram violência doméstica contra suas companheiras. Um desses depoimentos contava a história de Anderson (nome fictício usado pela assistente social) que está preso por ter cometido violência doméstica contra sua esposa: em um sábado, ele saiu para beber com os amigos e chegou em casa bêbado. Pediu para que a mulher fizesse frango empanado para o jantar, enquanto tomava banho. A mulher fez bife acebolado, o que foi o estopim para que o marido a segurasse pelo braço e a agredisse. Rafaela conta que, em sua pesquisa, a maioria dos homens que cometem violência não enxergam seus atos como violentos. Os pequenos poderes sobre a mulher, como decidir a roupa e maquiagem, tiram os diretos de liberdade e privacidade, tornando-a sua propriedade. E mesmo depois de anos presos, as concepções culturais patriarcais de poder continuam as mesmas.

Melina, Heliana, Rafaela e o mediador Igo Martini.
Rafaela Westphal - Departamento de Sociologia da UFPR


Heliana Hemetério, da Rede de Mulheres Negras, abordou a invisibilidade da mulher negra, que são as mais violentadas e têm um espaço quase inexistente dentro de universidades e grandes empresas. Para Heliana, o racismo é um assunto pouco debatido e o principal desafio, para a maioria das pessoas, é reconhecer que o racismo existe. Antigamente, a mulher negra era escrava. Hoje ela é doméstica. A palestrante também afirmou que há uma cultura racista e patriarcal. Tal cultura marginaliza o negro e estabelece que a mulher precisa de um homem para estar inserida na sociedade.



Cleberton Mendes, Juliana Bianchi
Fotos: Hannah Cliton e Georgia Imaregna



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