quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Painel debate ações jurídicas para a defesa da mulher

Evento reuniu representantes de diversas áreas jurídicas no auditório do bloco bege da UP


“A violência contra a mulher é um tema que sofre com a cegueira do sistema penal”. A frase da presidente da Comissão de Estudos de Violência de Gênero da OAB-PR, Lia Bazzo Barwinski, deu início ao painel número 6 da 1ª Jornada Nacional Mulher Viver Sem Violência. Para Lia, a área do direito penal ainda sofre por conta de pontos de vista machistas e lacunas na Lei Maria da Penha. A promotora do Ministério Público do Paraná, Mariana Seifert Bazzo, afirmou que a violência de gênero é algo naturalizado na sociedade, o que leva a uma deficiência na investigação e punição desses casos.

A representante do MP-PR, Mariana Seifert Bazzo, afirmou que a Lei Maria da Penha deve ser aplicada com foco na condenação e punição dos acusados.


A necessidade do trabalho conjunto entre os poderes Legislativo e Judiciário na criação e implementação de políticas públicas visando à proteção e empoderamento das mulheres vítimas de violência também foi tema do debate. Entre os projetos apresentados no evento, destaca-se a assessoria jurídica popular, disponibilizada para mulheres em situação de violência pela Universidade Federal do Paraná. Guilherme Brenner Lucchesi, professor do Núcleo de Práticas Jurídicas da UFPR, ressaltou que apesar de a Lei Maria da Penha ser conhecida por quase 98% da população brasileira, a maioria das pessoas ainda não compreende como ela funciona na prática. É justamente esse serviço que o projeto oferece, auxiliando mulheres durante o processo jurídico.  A assessoria ainda oferece apoio às mulheres por meio de programas de inserção no mercado de trabalho e de acesso à habitação, projetos esses desenvolvidos com a parceria da Prefeitura de Curitiba.

Para fechar o debate, a desembargadora do Tribunal de Justiça do Paraná, Lenice Bodstein, apresentou um breve histórico da inserção da mulher como cidadã na sociedade. Ela ressaltou que, mesmo com várias leis de proteção à mulher, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, os preconceitos e estereótipos ainda são transmitidos entre a população, tornando necessária não só a punição penal, mais também o acesso à informação sobre a violência de gênero.

Para os convidados, o importante é mudar a cultura do machismo
e que políticas públicas sejam aplicadas em conjunto com a lei.

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