quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Mesa-redonda trata “Sobre Humanos e outros animais: construindo subjetividades e práticas não violentas”


Realizada nesta quarta, 25, no painel 8 na Reitoria da Universidade Federal do Paraná – UFPR, a mesa-redonda trouxe assuntos diferentes relacionados à mulher. O debate foi mediado pela Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo, Amélia Siegel Corrêa.
Iniciou a discussão, Miriam Adelman, que é socióloga pela Universidade Nacional Autônoma do México e o M.Phil. em Sociologia da University, doutora em Ciências Humanas pela UFSC e que atualmente trabalha no Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR. Adelman expôs seus estudos acerca da relação de harmonia gerada pelo contato entre humanos e animais. "Há algo subversivo em pensar as relações entre humanos e os animais”. Disse que “a violência entre outras relações é canalizada como o esporte” e que há uma socialização dos meninos com a violência. Por meio de estudos de outros pesquisadores, citou o sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990) criador de uma teoria social inovadora, acerca da interação humana na sociedade. Disse Elias, a partir de um estudo do campo esportivo, que o cavalo, que antes era visto como um animal de guerra, agora seria um animal de lazer e que, no seu estudo, meninos que aprendessem a cuidar e treinar cavalos poderiam crescer como sujeitos cuidadosos com o ser próximo.

Miriam Adelman, ao expor seus estudos "Sobre Humanos e outros animais"

Miriam explicou que há uma grande preocupação com a sociedade do século XX, além de citar várias vezes que nossa sociedade é uma “máquina de produção que cria mulheres aptas a cuidar dos outros, dos filhos”. Diz que o processo de feminização é bem maior nos Estados Unidos, do que no Brasil, onde há uma evolução lenta, além de ser mais complexo.
Ela finalizou, dizendo que é preciso aprender outras maneiras de ''ser'' e que o estudo de Elias, aprendendo a montar e treinar cavalos, se também realizado com meninas, pode fazer com que ganhem confiança, envolvendo a razão, emoção e o corpo.


A segunda participante da mesa-redonda, foi Elza Campos, assistente social, presidente da UBM e vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Curitiba. Ela é militante do PCdoB e luta pelo direito das mulheres há 20 anos. Elza iniciou falando da necessidade de se construir uma cultura de não violência e que as leis do capitalismo contribuíram para tal, “mesmo com uma sociedade diferente, a cultura da gente vai estar mantida”.

Falou, ainda, que o trabalho pauta nossa sociedade e que, além de o trabalho produzir uma alienação, há uma apropriação do corpo. “A mulher é vista apenas como corpo, objeto e mercadoria. E a própria internet tem feito essa 'coisificação'. Elza explica, também, que a violência aumentou, em quase 60%, contra mulheres negras e cita o racismo praticado contra a atriz global Taís Araújo. Explicou sobre a luta em que “precisamos reconhecer a ajuda e ajudarmos os outros”, trazendo a questão “como romper com esses aprisionamentos e nos tornarmos sujeitos políticos?”. Assim, “uma das questões centrais é contribuir para que aquela companheira possa se sentir à vontade e denunciar.”

“Prêmio Empreendedora Curitibana” foi tema da Gina G. Paladino, economista e presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e que está há 30 anos no meio do empreendedorismo. Apresentou a cartilha da mulher, com as pesquisas internacionais sobre premiação em empreendedorismo e deu ênfase às mulheres curitibanas que trazem ideias empreendedoras. Explicou acerca do aumento das mulheres no mercado de trabalho e que elas têm melhores condições de empreender.  "Há  mulheres participando em massa de cursos de capacitações”. Em pesquisas foi feito um mapeamento dos locais e setores em que houve mais empreendedorismo. Apresentou as 9 finalistas do concurso que elegeria as empreendedoras curitibanas com as melhores ideias. “Ganharam os prêmios, avançaram nos seus negócios e  estamos ainda colaborando com elas.” Assim, é possível “identificar e dar visibilidade às nossas empreendedoras curitibanas e fazer a diferença”.

July Anne Fernandes
Francisco Mateus


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