Realizada nesta quarta, 25, no painel 8 na Reitoria da
Universidade Federal do Paraná – UFPR, a mesa-redonda trouxe
assuntos diferentes relacionados à mulher. O debate foi mediado pela
Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo, Amélia Siegel
Corrêa.
Iniciou a discussão, Miriam Adelman, que é socióloga pela
Universidade Nacional Autônoma do México e o M.Phil. em Sociologia
da University, doutora em Ciências Humanas pela UFSC e que
atualmente trabalha no Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR.
Adelman expôs seus estudos acerca da relação de harmonia gerada
pelo contato entre humanos e animais. "Há algo subversivo em
pensar as relações entre humanos e os animais”. Disse que “a
violência entre outras relações é canalizada como o esporte” e
que há uma socialização dos meninos com a violência. Por meio de
estudos de outros pesquisadores, citou o sociólogo alemão Norbert
Elias (1897-1990) criador de uma teoria social inovadora, acerca da
interação humana na sociedade. Disse Elias, a partir de um estudo do
campo esportivo, que o cavalo, que antes era visto como um animal de
guerra, agora seria um animal de lazer e que, no seu estudo, meninos
que aprendessem a cuidar e treinar cavalos poderiam crescer como
sujeitos cuidadosos com o ser próximo.
| Miriam Adelman, ao expor seus estudos "Sobre Humanos e outros animais" |
Miriam explicou que há uma grande preocupação com a sociedade
do século XX, além de citar várias vezes que nossa sociedade é
uma “máquina de produção que cria mulheres aptas a cuidar dos
outros, dos filhos”. Diz que o processo de feminização é bem
maior nos Estados Unidos, do que no Brasil, onde há uma evolução
lenta, além de ser mais complexo.
Ela finalizou, dizendo que é preciso aprender outras maneiras de
''ser'' e que o estudo de Elias, aprendendo a montar e treinar
cavalos, se também realizado com meninas, pode fazer com que ganhem confiança,
envolvendo a razão, emoção e o corpo.
A segunda participante da mesa-redonda, foi Elza Campos,
assistente social, presidente da UBM e vice-presidente do Conselho
Municipal dos Direitos da Mulher de Curitiba. Ela é militante do PCdoB e
luta pelo direito das mulheres há 20 anos. Elza iniciou falando
da necessidade de se construir uma cultura de não violência e que
as leis do capitalismo contribuíram para tal, “mesmo com uma
sociedade diferente, a cultura da gente vai estar mantida”.
Falou, ainda, que o trabalho pauta nossa sociedade e que, além de o trabalho produzir uma alienação, há uma apropriação do corpo. “A
mulher é vista apenas como corpo, objeto e mercadoria. E a própria
internet tem feito essa 'coisificação'. Elza explica, também,
que a violência aumentou, em quase 60%, contra mulheres negras e cita o
racismo praticado contra a atriz global Taís Araújo. Explicou sobre
a luta em que “precisamos reconhecer a ajuda e ajudarmos os
outros”, trazendo a questão “como romper com esses
aprisionamentos e nos tornarmos sujeitos políticos?”. Assim, “uma
das questões centrais é contribuir para que aquela companheira
possa se sentir à vontade e denunciar.”
“Prêmio Empreendedora Curitibana” foi tema da Gina G.
Paladino, economista e presidente da Agência Curitiba de
Desenvolvimento e que está há 30 anos no meio do empreendedorismo.
Apresentou a cartilha da mulher, com as pesquisas internacionais
sobre premiação em empreendedorismo e deu ênfase às mulheres
curitibanas que trazem ideias empreendedoras. Explicou acerca do
aumento das mulheres no mercado de trabalho e que elas têm melhores
condições de empreender. "Há mulheres participando em
massa de cursos de capacitações”. Em pesquisas foi feito um
mapeamento dos locais e setores em que houve mais empreendedorismo.
Apresentou as 9 finalistas do concurso que elegeria as empreendedoras
curitibanas com as melhores ideias. “Ganharam os prêmios,
avançaram nos seus negócios e estamos ainda colaborando com
elas.” Assim, é possível “identificar e dar visibilidade às nossas empreendedoras curitibanas e fazer a diferença”.
July Anne Fernandes
Francisco Mateus
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