Na última tarde de acontecimento da 1º Jornada Nacional da Mulher- Viver sem Violência, a convidada da palestra ‘’Perspectivas para uma cultura de não violência contra as mulheres’’ foi a antropóloga e professora Rita Laura Segato. O surgimento do movimento feminista em guerrilhas e as iniciativas dentro de aldeias indígenas, como divulgar a Lei Maria da Penha entre as mulheres das tribos, foram alguns dos principais temas discutidos.
A palestrante falou sobre o “controle mafioso dentro da sociedade”, conceito que trata de uma visão deturpada quando pensamos em crime no Brasil e não percebemos muitas vezes o Estado como criminoso: “O Brasil é um país que não tem espelho, ele não se enxerga”.
Ressaltou que é necessário inserir as questões da mulher no Estado, que insiste em empurrar essas discussões para o âmbito doméstico, romantizando a questão de gênero e a impunidade. Também apontou um crescimento proporcional entre programas de proteção à mulher em relação ao número de crimes. Mesmo com o surgimento dessas iniciativas, a violência continua atingindo números exorbitantes, como na Bolívia, onde a taxa de feminicídio é a
maior da América.
Ao citar seu trabalho de pesquisa sobre a Guatemala, Rita Segato explicou a trágica condição feminina na guerra. “Levaram a violência contra o corpo da mulher como uma estratégia de guerra; ao anexarem territórios, anexavam também os corpos das mulheres”.
No término da palestra, a antropóloga foi direta e enfática. “O feminismo tem que sair da poltrona, estamos muito longe de entender o que realmente acontece. Matar é “bom” porque é um espetáculo. Tudo o que é um espetáculo na sociedade é considerado bom”.
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