| Palestra de Clara Maria Roman Borges |
“A lei do feminicídio é
importante, mas temos que mudar a cultura”, foi a conclusão da palestra de
Clara Maria Roman Borges, professora de Direito da Universidade Positivo e da Universidade
Federal do Paraná. A palestra abriu o painel sobre a criminalização da
violência contra as mulheres e abordou a aplicação e a
contextualização das leis. Segundo a palestrante, a lei do feminicídio,
sancionada em março deste ano, tem raízes nos movimentos feministas
brasileiros.
| Para ela, as mulheres nos movimentos revolucionários da ditadura foram importantes para a criminalização da violência |
Uma das protagonistas desses
movimentos que começaram antes do Estado Novo foi Bertha Lutz, que lutou pelo
voto feminino e pela igualdade de gêneros. Durante a palestra, a professora de
Direito Penal também mencionou as mulheres que lutaram contra a ditadura
militar. De acordo com ela, o feminismo não era um assunto discutido no Brasil,
ao contrário dos Estados Unidos e Europa. A palestrante também lembrou que,
mesmo nos movimentos revolucionários durante a ditadura militar, havia muito
machismo e as mulheres não tinham espaço.
| "Lei Maria da Penha não alterou a cultura", diz Clara Maria Roman Borges |
Após a ditadura, os movimentos
feministas passaram a ter força no Brasil, mas havia muitas divergências.
Clara Maria Roman Borges apontou que a violência contra a mulher e a
necessidade de criminalizá-la eram o ponto de convergência entre as três
principais vertentes do feminismo brasileiro. A partir de uma delas é que
surgiram as leis Maria da Penha e do feminicídio, para diminuir as diferenças
entre homens e mulheres na aplicação das demais leis. No entanto, para Clara, o
direito é o “caminho mais difícil para mudar uma coisa que é cultural”. Ela
acredita que as leis devem ser aplicadas, mas não promovem a mudança cultural
necessária para combater a violência de gênero.
Texto e fotos produzidos por alunas do curso de Jornalismo da Universidade Positivo: Hannah Cliton e Georgia Imaregna. Trabalho sob coordenação da professora Ana Paula Mira e assessoria de imprensa da Universidade Positivo da Central Press.
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