O
workshop Violência Sexual, que aconteceu hoje no prédio da reitoria da UFPR,
foi conduzido pela enfermeira e professora Marly Marton. Durante o evento, três
trabalhos sobre o tema violência sexual foram apresentados por estudantes
universitárias.
O
primeiro, O Corpo Feminino Invadido: Os Marcos Da
Violência Sexual Desveladas Pela Enfermeira, foi realizado por Maria Lúcia
Raimondo e orientado pela professora Liliana Maria Labronici. Realizado entre
abril de 2013 e agosto de 2014, o estudo traz uma análise feita com treze
mulheres vítimas de violência sexual, todas moradoras de Guarapuava. As
análises com as mulheres só inciavam depois de cento e vinte dias de
serem violentadas, pois esse é período em que as pessoas que estão ao redor
dessas mulheres já se esqueceram do fato. Mas ainda é um momento em que as vítimas estão muito fragilizadas. O principal objetivo do estudo é tentar
compreender o corpo feminino violentado.
O
resultado desse estudo foi especificado em quatro tópicos: Feridas Existenciais
– em que as marcas da violência ficam no corpo e na alma como uma tatuagem que
nunca sairá; Espelho – quando elas se olham no espelho e elas se lembram
da violência que sofreram; Imagem Corporal – as mulheres percebem que o
corpo por si só tem uma imagem distorcida do que ele realmente é e; Diante da
Imagem – as vítimas conseguem preservar a esperança de um dia, todo o
sofrimento se tornar apenas o passado.
| Foto: Sarah Menezes |
O
segundo estudo apresentado no workshop foi realizado por Lais Maria Peres,
estudante de enfermagem da Unicentro, e o tema foi Caracterização de Mulheres
Vítimas de Violência Sexual Atendidas no Serviço Especial na região Central do
Paraná. Lais realizou uma pesquisa quantitativa descritiva e chegou a algumas
conclusões com os dados que colheu com treze mulheres vítimas de violência
sexual em Guarapuava. Das treze mulheres, oito delas sofreram a violência
durante o dia. Três delas conheciam o agressor e quatro das
mulheres foram violentadas dentro da própria casa.
O
terceiro e último estudo foi realizado por Fabiana Taisa Lovato e o tema foi Violência Conjugal Contra a Mulher: Produção Brasileira. O objetivo do trabalho
foi analisar produções de artigos que tratam da violência dentro da união
conjugal. Com o estudo, foi possível fazer uma revisão literária de como esse
tipo de violência é abordado nos artigos publicados entre o período de agosto de 2009 e agosto
de 2014. Por meio desse estudo, Fabiana percebeu que existe uma escassez de
pesquisas sobre o tema, e que, em sua maioria, outros tipos de abuso na
relação conjugal são mais abordados.
| Foto: Sarah Menezes |
Depois
das apresentações, o médico do Hospital das Clínicas, Rosires Andrade, teve um momento de diálogo e interação com as participantes do workshop. A maioria das
mulheres presentes no workshop eram enfermeiras, psicólogas e assistentes
sociais. O doutor Rosires iniciou a fala questionando qual era o
primeiro lugar a que uma mulher violentada deveria ir: delegacia ou hospital?
O médico afirmou que o hospital é o lugar que as vítimas devem ir de imediato e
que lá elas precisam de acolhimento. Além disso, doutor Rosires disse que o
momento em que essas mulheres chegam ao hospital elas não devem ser
questionadas, e que o principal a se fazer são os exames de imediato e logo em
seguida é necessário realizar a medicação correta. É importante, também, lembrou o
doutor Rosires, que a mulher não seja questionada sobre onde estava,
e o que estava fazendo em tal lugar, pois certos questionamentos podem parecer um julgamento das vítimas. O médico alertou ainda sobre os riscos e as
situações de vulnerabilidade que a mulher enfrenta atualmente: “As mulheres
podem andar onde quiserem, quando quiserem. Podem, mas não devem por causa da
vulnerabilidade existente hoje em dia.”
Textos e fotos produzidos por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Positivo: Ana Paula dos Santos, Sarah Menezes. Trabalho sob coordenação da professora Ana Paula Mira e assessoria de imprensa da Universidade Positivo da Central Press.
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