quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Estudos sobre a realidade são apresentados no workshop referente à violência sexual



 
Foto: Sarah Menezes 


O workshop Violência Sexual, que aconteceu hoje no prédio da reitoria da UFPR, foi conduzido pela enfermeira e professora Marly Marton. Durante o evento, três trabalhos sobre o tema violência sexual foram apresentados por estudantes universitárias.
O primeiro, O Corpo Feminino Invadido: Os Marcos Da Violência Sexual Desveladas Pela Enfermeira, foi realizado por Maria Lúcia Raimondo e orientado pela professora Liliana Maria Labronici. Realizado entre abril de 2013 e agosto de 2014, o estudo traz uma análise feita com treze mulheres vítimas de violência sexual, todas moradoras de Guarapuava. As análises com as mulheres só inciavam depois de cento e vinte dias de serem violentadas, pois esse é período em que as pessoas que estão ao redor dessas mulheres já se esqueceram do fato. Mas ainda é um momento em que as vítimas estão muito fragilizadas. O principal objetivo do estudo é tentar compreender o corpo feminino violentado.
O resultado desse estudo foi especificado em quatro tópicos: Feridas Existenciais – em que as marcas da violência ficam no corpo e na alma como uma tatuagem que nunca sairá; Espelho – quando elas se olham no espelho e elas se lembram da violência que sofreram; Imagem Corporal – as mulheres percebem que o corpo por si só tem uma imagem distorcida do que ele realmente é e; Diante da Imagem – as vítimas conseguem preservar a esperança de um dia, todo o sofrimento se tornar apenas o passado.
Foto: Sarah Menezes 
O segundo estudo apresentado no workshop foi realizado por Lais Maria Peres, estudante de enfermagem da Unicentro, e o tema foi Caracterização de Mulheres Vítimas de Violência Sexual Atendidas no Serviço Especial na região Central do Paraná. Lais realizou uma pesquisa quantitativa descritiva e chegou a algumas conclusões com os dados que colheu com treze mulheres vítimas de violência sexual em Guarapuava. Das treze mulheres, oito delas sofreram a violência durante o dia. Três delas conheciam o agressor e quatro das mulheres foram violentadas dentro da própria casa.
O terceiro e último estudo foi realizado por Fabiana Taisa Lovato e o tema foi Violência Conjugal Contra a Mulher: Produção Brasileira. O objetivo do trabalho foi analisar produções de artigos que tratam da violência dentro da união conjugal. Com o estudo, foi possível fazer uma revisão literária de como esse tipo de violência é abordado nos artigos publicados entre o período de agosto de 2009 e agosto de 2014. Por meio desse estudo, Fabiana percebeu que existe uma escassez de pesquisas sobre o tema, e que, em sua maioria, outros tipos de abuso na relação conjugal são  mais abordados.
Foto: Sarah Menezes
Depois das apresentações, o médico do Hospital das Clínicas, Rosires Andrade, teve um momento de diálogo e interação com as participantes do workshop. A maioria das mulheres presentes no workshop eram enfermeiras, psicólogas e assistentes sociais. O doutor Rosires iniciou a fala questionando  qual era o primeiro lugar a que uma mulher violentada deveria ir: delegacia ou hospital? O médico afirmou que o hospital é o lugar que as vítimas devem ir de imediato e que lá elas precisam de acolhimento. Além disso, doutor Rosires disse que o momento em que essas mulheres chegam ao hospital elas não devem ser questionadas, e que o principal a se fazer são os exames de imediato e logo em seguida é necessário realizar a medicação correta. É importante, também, lembrou o doutor Rosires, que a mulher não seja questionada sobre onde estava, e o que estava fazendo em tal lugar, pois certos questionamentos podem parecer  um julgamento das vítimas. O médico alertou ainda sobre os riscos e as situações de vulnerabilidade que a mulher enfrenta atualmente: “As mulheres podem andar onde quiserem, quando quiserem. Podem, mas não devem por causa da vulnerabilidade existente hoje em dia.”

Textos e fotos produzidos por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Positivo: Ana Paula dos Santos, Sarah Menezes. Trabalho sob coordenação da professora Ana Paula Mira e assessoria de imprensa da Universidade Positivo da Central Press. 

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